Câncer de mama: por que o “outubro rosa” precisa ser maior

Outubro Rosa: campanha de conscientização sobre o câncer de mama. (iStock/Getty Images)

Artigo de autoria da Dra Ana Claudia Quintana Arantes, publicado no dia 21 de outubro de 2019, no blog Letra de Médico, da Revista Veja.

 

Talvez pouca gente saiba que 30% das mulheres que têm diagnóstico de câncer e mama podem evoluir para a doença metastática, ou seja, presença do câncer em outros órgãos, além de sua origem. Outras 35% já descobrem nesse estágio afinal, moramos no Brasil e as coisas não são rápidas e nem fáceis por aqui. Embora ninguém tenha nada contra milagres, para todas essas mulheres a cura é um assunto que não está na pauta do dia a dia.

Mulheres fortes, corajosas, intensas, que trabalham, criam filhos, cuidam da família, sofrem por tanto e tudo e ainda fazem quimioterapia. E se sentem felizes a cada vez que vão ao médico e recebem a notícia que vão continuar a fazer tratamento.

Elas sofrem. Um sofrimento em todas as dimensões que até hoje está sendo silenciado. Mas que agora precisa ser atendido. A cura não está ao alcance de todas, mas o alívio de seu sofrimento precisa estar.

Muito é investimento em drogas e aparelhos, mas quase nada é investido em humanidade. Compaixão somada ao conhecimento sobre tratamento da dor e de outros sintomas devem dar mais vida aos anos e também mais anos de vida.

Todas as mulheres que têm uma doença incurável têm também uma história bonita pra contar pra quem quiser ouvir. Sobre a vida que já foi e sobre o resto de vida que há de vir. Não se sabe quanto tempo cabe no tempo que resta. Mas temos certeza de que de janeiro a janeiro todas elas merecem ter quem acolha seu sofrimento por não ter todo o tempo que gostariam de ter.

Prevenir doenças é urgente. Diagnosticar precocemente é importante. Mas olhar nos olhos de quem está doente é absolutamente fundamental.

Queremos que neste Outubro Rosa, e em todos os meses do ano da vida de todos que enfrentam o câncer seja tempo de conscientização sobre tratar e prevenir o sofrimento. A dor, o medo, a tristeza são esperadas, mas não é normal sofrer.

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