Jornal da Cidade: ‘Na hora de morrer, o mais importante é experimentar o amor’, afirma geriatra

1ª Jornada Eduardo Alferes de Cuidados Paliativos Dra Ana Claudia Quintana Arantes aoutora do Livro "A morte é um dia que vale a pena viver"

A Dra. Ana Claudia concedeu entrevista para o Jornal da Cidade, de Bauru. Leia abaixo a reportagem:


‘Na hora de morrer, o mais importante é experimentar o amor’, afirma geriatra

Para a médica Ana Cláudia Arantes, que esteve em Bauru, existem meios de dar um final de vida menos doloroso a pacientes terminais

Lilian Grasiela

Essa foi a frase escolhida pela médica geriatra Ana Cláudia Quintana Arantes para definir qual é a principal necessidade de um paciente que recebe o diagnóstico de uma doença sem cura. A profissional esteve em Bauru no sábado passado (7), durante a Jornada Eduardo Alferes de Cuidados Paliativos, para ministrar uma palestra sobre seu livro “A morte é um dia que vale a pena viver” e, em meio a uma pausa nos autógrafos, conversou com a reportagem do JC.

JC – Por que a senhora escolheu esse título para o seu livro?

Ana Cláudia – O dia da morte precisa ser um dia que vale a pena viver porque ele faz parte da sua vida. Se a gente olha para a morte como algo que não faz parte da sua história, você vai cometer graves erros nas escolhas de cada um dos seus dias porque só dá para fazer boas escolhas, se você tem noção de que seu tempo está terminando. O livro tem essa proposta. Você tem que passar pela triagem de enfrentar a notícia de que você vai morrer e aí você abre a capa e a vida acontece.

JC – Esse livro é recomendado apenas para quem recebeu um diagnóstico de doença sem cura ou todas as pessoas podem aprender algo novo por meio dele?

Ana Cláudia – O livro é recomendado para qualquer pessoa que queira aprender alguma coisa de maior sentido na própria vida. A gente não precisa de um diagnóstico de uma doença fatal para ver que a vida vale a pena.

JC – Pela sua vivência, de maneira geral, quando as pessoas recebem a notícia de que irão morrer em breve, o que elas mais buscam realizar?

Ana Cláudia – Cada cabeça é um universo cheio de possibilidades de realizações e de percepções de fracasso. O que eu vejo acontecer – e isso é uma unanimidade – é a importância da conexão humana, de você ter um ser humano cuidando de um ser humano. Isso é fundamental. Não importa se você tirou tudo o que você queria da vida, se você não deu tudo o que você poderia dar. Na hora morrer, o mais importante é experimentar o que é o amor. Você pode dar amor e receber amor. Sem isso, é muito difícil você embarcar na primeira classe.

JC – Em uma reportagem recente, a senhora comentou sobre os cinco maiores arrependimentos que as pessoas têm no fim da vida. Eles também são uma unanimidade?

Ana Cláudia – Isso está em um livro que foi escrito por uma enfermeira australiana que avaliou em entrevistas os arrependimentos mais frequentes. Mas isso é uma amostra de uma população que talvez possa representar um pouco o mundo ocidental. Faz sentido, mas, se a gente for olhar para um ser humano em qualquer parte da terra, o que importa é a conexão, que se alinha com todos os cinco arrependimentos: ficar mais com os seus amigos; fazer escolhas mais sensatas em relação ao que você deseja, o que diz respeito a uma conexão amorosa com você mesmo; demonstrar afeto, o que tem a ver com amor; trabalhar menos, porque a gente associa trabalho com falta de conexão; e ser feliz.

Violão autografado

Renan Casa
Lu Moraes, do Amigas do Peito, demonstra carinho à médica, durante a jornada

 

Após a palestra de sábado, a médica Ana Claudia Quintana Arantes autografou um violão rosa que será usado nas reuniões do grupo Amigas do Peito de Bauru, entidade que realiza ações de prevenção ao câncer de mama e de apoio a mulheres com a doença. “Eu resolvi levar uma sementinha desses cuidados paliativos citados pela médica da minha maneira, através da música. Eu comprei esse violão da cor do grupo e dei o nome para ele de Ana Cláudia em homenagem a ela”, conta Lu Moraes, integrante do Amigas do Peito.

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